Tem algo que reverbera da fala do Richard Dawkins para mim que não fica bem. Talvez seja a certeza imperial que ele tem das virtudes da razão. Ou então a superioridade pessoal que emana de sua crítica avassaladora à fé em Deus e às religiões. Sua mente tem uma competência fabulosa de articular relações de causa e efeito, de construir argumentos claros e bem informados, de erguer uma cosmogonia materialista que é convincente e até apaixonante. Infelizmente, porém, ele se deixou apaixonar por suas próprias virtudes. Debate como quem olha para um espelho. Tem uma unilateralidade totalitária que não condiz com uma reserva cética que a própria razão e a maturidade sugerem. Simon Schama também me deixou angustiado. Decepcionado quem sabe. Seus livros são eruditos, bem pesquisados e originais na linguagem. Mas pessoalmente ele foi na Flip quase um fanfarrão. Muitos gestos e palavras soltas. Um autor em busca de minutos de estrelato. Não foi o homem sóbrio e relevante que imaginei que seria.
Sou mais a Karen Armstrong. Menos vaidade. Nada mais.
Veja aqui o vídeo “Os mundos paralelos de Richard Dawkins”