Que viagem essas tais “Cidades Mortas” do senhor que me dizem ser pai ou avô, sei lá, do Saci que mora aqui no Vale dos Marmelos. Ele me emprestou, todo metido a besta como sempre, uma cópia de uma edição nova dessa coletânea de contos de Monteiro Lobato, como se ele tivesse alguma coisa a ver com isso. Na verdade sequer uma menção ao Saci há no livro. O que há, sim, é muita descrição de como eram cidades antes ricas do Vale do Paraíba e agora – em 1900 – pobres do Vale do Paraíba, arrasadas pela emigração das riquezas do café para os lados de Ribeirão Preto. O avô, ou pai, sei lá, do Saci escreve pacas e às vezes difícil (o senhorzinho da guarita do auditório teve a manha de me esclarecer nas mil dúvidas que tive), mas o livro realmente é de primeira classe. Só que fiquei bem encafifado com uma coisa. O Sr Lobato estava achando graça e sendo crítico da lentidão, da falsidade, da falta de empreendedorismo dessas tais pequenas cidades. Nas Itaocas da vida as pessoas se reunem por rotina, a ciência é discutida sem arte, os talentosos fogem para a cidade grande e a vida passa no arrancar das páginas da folhinha. E isso tudo ele achava ruim. Mas caramba, o que ele acharia dessas “Cidades Mortas” de hoje ? Aliás, pergunte para qualquer esquilo de Campos do Jordão o que ele acha que estaria dentro de um livro chamado “Cidades Mortas” e aposto que ele te descreveria uma série de assassinatos por gangues ou máfia de drogas ou até por politicos inescrupulosos. Quiséramos nós que o defeito de Campos do Jordão fosse a modorra de uma tarde de carteado e fofoca ou da expectativa sobremesurada da vinda do circo à cidade. Nada disso sobrou sr avô do Saci ! O Sr achava aquilo um problema ? O Sr vai ver o que é problema ! Ao menos as pessoas naquelas cidades sabiam daonde vinham, mesmo que esperassem do tempo somente um destino para eles. Hoje em dia vejo jovens vagando pelas ruas à procura de um destino sem mesmo saber daonde vêm. O circo não comove mais ninguém. Só um exemplo: o Auditório Cláudio Santoro tem peça de teatro infantile todo domingo a 1 real por criança – 1 Real. 1 Real ! 1 Real !! – e aparecem sempre uns 30 gatos pingados. Eu mesmo vejo da portaria que são quase sempre os mesmos pais e suas crianças que tomam tempo para uma diversão mambembe como essa. O astral é alto, mas a comunidade é pequena… Já nas ruas, nos bares, nas boites, a coisa está bombando. Todo mundo quer uma moto,um tennis, uma camiseta, um corte de cabelo – e pelo que vejo querem isso rápido e com o mínimo possível de esforço. Vou te falar, se seguirmos nessa toada, o que sera uma Cidade Morta daqui a 100 anos ?
18, Março 2008 às 5:56 pm |
Pequena correção Joca — o Saci aparece no livro sim, mas como menção, não em verdadeira aparição. Lembre-se do conto do menino medroso que confunde uma moringa d’água com um sacizinho, para desespero do pai machão…
19, Maio 2008 às 12:51 am |
Joca,
Vc que é um esquilo, logo se alimenta do nosso pinhão, o que diz do fato de não termos até o momento a tradicional Festa do Pinhão em Campos do Jordão? Nada aconteceu nesse sentido e não existe comentários sobre a Festa.
Ahhh parece que já foi em Santo Antonio do Pinhal hein!!! Você esteve por lá?
Será que Festas Populares não são interessantes para Campos?
10, Junho 2008 às 5:04 pm |
“Mais vale acender uma vela do que ficar praguejando contra a escuridão”
A AME CAMPOS está levando esse ditado popular ao pé da letra. Através do seu presidente, Sr. Paulo Bilyck, está apoiando um programa de renovação
da Biblioteca Municipal. Esta Casa de Cultura será uma referência na região nas áreas de Artes Plásticas, Música, Filosofia e Religião. Já recebemos varios livros valiosos sôbre esses assuntos que estão à disposição dos usuários da Biblioteca. Trata-se de um incentivo ao saber e a cultura como nunca aconteceu antes em nossa cidade. Parabéns à AME CAMPOS. Encerro com uma frase de Monteiro Lobato e um verso de Castro Alves:
“Um país se constrói com Homens e LIVROS”
Oh bendito o que semeia
Livros, livros a mão cheia
E manda o povo pensar
O livro caindo n’alma
É germe que faz a palma
É gota que faz o mar.